De um lado, Gustavo Guerra, o Guga Guerra da Richier Equipamentos, localizada na cidade de Serra, na grande Vitória, Espírito Santo. É a segunda geração de locadores. Atualmente, sob seu comando, a empresa trabalha com foco nas relações B2B e atende majoritariamente a área industrial, além da construção civil.
De outro, a jovem Thaís Nunes, também segunda geração de locadores e que, apesar de ser de São Paulo e da longa experiência de locação de equipamentos ao lado da família, escolheu literalmente desbravar o mercado em Água Clara, interior do Mato Grosso do Sul, onde implantou não só o negócio mas o conceito do rental em toda a região. Lá, a LocRental trabalha com um público eclético da área agrícola, construção civil e pessoas físicas.
Gustavo e Thaís atuam em mercados totalmente distintos, porém competitivos e em constante transformação. Vamos então conhecer um pouco mais desses personagens e suas trajetórias inspiradoras.
DNA da locação
Guga Guerra é engenheiro de produção formado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas. São 19 anos dedicados exclusivamente ao rental. Aprendeu tudo ao lado do pai Cézar Augusto, e também com o avô que vendia equipamentos para construção. Desde 2013 assumiu o comando da Richier durante uma das maiores crises que o mercado já enfrentou no Brasil. Dez anos e muitas lutas depois, Guga conseguiu abrir sua primeira filial no Sul da Bahia, na cidade de Teixeira de Freitas.
“Em meio a crise que enfrentamos em 2013/ 2014, não tivemos outra alternativa a não ser buscar no mercado profissionais que pudessem nos auxiliar na melhoria da gestão em todas as frentes, da manutenção ao financeiro, da redução de custos ao atendimento. Foi um processo bem difícil, mas extremamente necessário,” conta o empresário.
“Nessa ocasião decidimos também sair de Vitória para uma unidade um pouco menor no município de Serra, que já apontava como um dos principais polos de desenvolvimento econômico e industrial do Espírito Santo. E fomos trabalhando a abertura de mercado junto a indústria da região. Um longo aprendizado uma vez que locar equipamentos para a indústria é praticamente um outro negócio dentro do segmento de locação, ou seja, praticamente uma especialização”, diz.
Até mesmo a logística entre a matriz no Espírito Santo e a filial em Teixeira de Freitas, separadas a mais de 400 quilômetros de distância uma da outra, pode ser contabilizada como mais um exemplo da visão estratégica. “Teixeira de Freitas não é o ponto inicial do mercado que nós enxergamos. E sim o ponto final. Da matriz na Serra até lá o sul da Bahia, a meta é atender toda a indústria, criar parcerias sólidas e cravar nossa marca,” diz Gustavo.
Locadora e mulher, no Mato Grosso do Sul
Se Gustavo Guerra desbravou a locação para a indústria capixaba e Sul da Bahia, a paulistana Thaís Nunes precisou apresentar para a região da pequena Água Clara, no interior do Mato Grosso do Sul, o que é uma empresa de locação, a importância de se alugar um bem ao invés de reter capital na compra e, principalmente, como fazer tudo isso de modo profissional, com a sua LocRental.
A cidade de Água Clara está a 204 quilômetros de Campo Grande. Contabilizou no Censo de 2022 uma população aproximada de 17 mil pessoas e uma densidade demográfica de 2,15 habitantes por km. Mas foi lá que Thais chegou decidida a fazer algo diferente e agiu de forma quase intuitiva.
“Conheci o lugar em 2022 e em apenas dois dias abri meu CNPJ. Quando cheguei por aqui só havia casa de material de construção, que de vez em quando alugava betoneira, mas sem qualquer referência da prática do rental. As pessoas não tinham o hábito de alugar, de fazer contratos e não me conheciam. O fato de eu ser uma mulher a tocar o negócio também causou estranheza. Mas agora isso mudou.”
Thais conta que nesses dois anos de Água Clara, a cidade também foi mudando de perfil. Muita construção de casas, alguns hotéis e grande demanda de locação por parte do agronegócio. Ela identificou oportunidades seguiu conquistando o mercado.
“Eu rodo de 4 a 5 mil quilômetros por mês. Outro dia mesmo precisei entregar uns andaimes numa fazenda bem distante e tive que abrir e fechar porteiras de muitas fazendas até chegar ao local. Em Água Clara também tive que aprender a lidar com outros equipamentos que não estava habituada, como roçadeiras e perfuradores de solo. Tudo isso é uma aventura, um grande aprendizado.”
Mãos na graxa
Locação de máquinas não é apenas um bom negócio para Thais, mas uma paixão. “Eu cresci dentro de locadora acompanhando obra, processos e manutenção de máquinas. Limpar carburador, fazer um retrátil, explicar o funcionamento e muitas outras coisas não são novidade pra mim. Mas cheguei numa cidade que não tinha infraestrutura, faculdades, cursos técnicos, não havia mecânicos para os nossos equipamentos. Então precisei por as mãos na graxa, formar mão de obra, mostrar na prática como tudo funciona e ainda criar a cultura da locação. Muitas pessoas chegavam na empresa dizendo que queriam falar com quem entende de equipamento, ou seja, um homem. A isso eu sempre respondi: não tem homem. Tem eu e posso ensinar se você tiver disposição para aprender”.
A empresária brinca que quem não gosta que ela coloque as mãos na graxa é a sua manicure. “Mas o público já entendeu que conheço o negócio, faço o que é preciso, quando é preciso. Hoje já tenho o suporte de uma equipe de manutenção e vários colaboradores que se especializaram. Até mesmo uma motorista mulher que é responsável pelos nossos fretes”, arremata.