A locação das versões mini de carregadeiras, escavadeiras, rolos compactadores e retroescavadeiras ampliam o portifólio e a especialização no segmento de compactos. Ideais para trabalhos onde o espaço é reduzido e as máquinas de maior porte não conseguem operar com eficiência, eles se notabilizam em empreendimentos comerciais, obras residenciais, subterrâneas, de saneamento ou cabeamento, até abertura de valas, jardins, parques, limpeza e pequenas áreas de construção de forma geral.
Com custos de operação e logísticos bem mais favoráveis que as máquinas de grande porte e vastas possibilidades de locação, em função da versatilidade, esse tipo de máquina há algum tempo tem atraído locadores.
É o caso de Wanderlei Cursino Correia, o Wandy, da Rental Mais, de São Paulo, com mais de 30 anos no mercado de locação e uma história cujo pontapé inicial aconteceu com um caminhão antigo e uma mini escavadeira. Muitos anos, histórias e obras depois, a empresa de Wandy se especializou em obras de infraestrutura de condomínios industriais, comerciais e residenciais onde as compactas estão, na maioria das vezes, na linha de frente dos equipamentos locados.
Ela ressalta que uma máquina compacta nunca fica parada. “Quando a locação é bem administrada, elas podem pagar as principais contas da empresa, pois tem muita demanda. Por serem menores e mais frágeis, o desgaste é maior, embora os custos de manutenção sejam acessíveis, o que compensa”, diz.
Se por um lado os custos de logística e operação são menores, por outro, o valor da locação também é mais baixo, quando comparado a equipamentos maiores. Tudo é uma questão de fazer contas e encontrar o ponto de equilíbrio orçamentário.
Como sugestão para iniciar o portifólio de compactas, Wandy indica a aquisição de pelo menos duas máquinas consideradas ‘coringas’: uma mini carregadeira e mini escavadeira. “Essas máquinas novas custam atualmente por volta de R$ 300 e R$ 350 mil. Mas são financiáveis. Há vários casos em que para ajudar o cliente, o fabricante dispõe de taxa subsidiada pelo banco das marcas (6% da taxa Selic por exemplo). Pela alta demanda e nessas condições, o equipamento se paga”, diz.
Vendas para empresas de locação
Os players da indústria de máquinas compactas não só confirmam as informações do diretor da Rental Mais, como são unânimes ao afirmar que o potencial para esse mercado é gigantesco e já vem crescendo há alguns anos.
Etelson Hauck, diretor de Soluções e Produto na JCB, diz que nos nove primeiros meses de 2024, as vendas de mini carregadeiras tiveram um aumento de 65% para o setor de locação e as de mini escavadeiras 26%. No entanto essa tendência se inverte quando se fala nos segmentos de agricultura e licitações públicas.
Devido à facilidade de operação em espaços reduzidos, os locadores podem conseguir cobrar valores proporcionalmente mais altos que numa escavadeira padrão. “Por exemplo, um frotista de uma retroescavadeira grande da JCB 3CX pode realmente obter o mesmo ganho que um frotista de uma mini retroescavadeira 1CX”, compara.
Marcelo Mota, especialista de Marketing de Produto da New Holland Construction, ressalta um fator importante a ser considerado pelo locador quando analisa a possibilidade de ampliar sua atuação no mercado com as compactas: a facilidade na logística e no transporte, já que uma carreta pode fazer isso com menor custo e mais eficiência, e levar mais de um equipamento compacto de uma só vez.
“Mas é bom que ninguém se iluda,” alerta Marcelo. “Por ter uma grande demanda é preciso ainda mais atenção à gestão e manutenções. Além de todas as preventivas, os clientes e operadores precisam ser muito bem treinados para respeitar os limites de cada produto”, diz.
Wandy, da Rental Mais, concorda e complementa: “O sucesso está em dosar os custos da propriedade do equipamento. A manutenção de máquinas compactas é proporcional ao tamanho delas e ao que geram de receita. Por exemplo: se uma máquina proporciona uma renda de 30 mil mensais, terá um custo de 5 mil de manutenção, aproximadamente. Precisamos fazer as contas o tempo todo. No geral é um ótimo negócio, mas como qualquer operação de locação, é preciso atenção e cuidado”, alerta.
Implementos
Laura Stumpf, especialista em Marketing de Produtos da Case Construction Equipment, considera que os equipamentos compactos podem ser uma verdadeira mina de outro para os locadores. Segundo Laura, o empreendedor do ramo de locação consegue ofertar, além da própria máquina, várias soluções através de implementos. É o caso de uma vassoura recolhedora, um rompedor hidráulico, das caçambas de 12 polegadas para mini carregadeiras e vários outros das diversas famílias de produto.
“Não é por acaso que dos três últimos lançamentos da Case, dois foram na área de compactos. Há linhas de financiamento para todos os produtos da marca, por meio do Banco CNH, em condições especiais. Temos ainda a possibilidade de financiamento de peças genuínas e serviços autorizados, o que deixa os locadores mais tranquilos.”
Com uma história de sucesso na área de compactos desde 1996, a Mais Wanderley Cursino da Mais Rental diz que também se sentiu apoiado pelas marcas. “Em 2005 conheci a Sotreq, revenda da Caterpillar que desde então tem me dado todo o suporte para a ampliação do meu negócio. Hoje, posso dizer com tranquilidade que o grande diferencial para qualquer empresa está na gestão, atendimento personalizado e pés no chão. Na crise de 2012 vimos muita gente nova e com potencial perecer e fechar as portas. A pandemia foi outro grande aprendizado. Atualmente, ainda enfrentamos o desafio de mão de obra e manutenção”, diz.
A solução para sua empresa tem sido o treinamento. Wandy contrata jovens que aprendem a conhecer as máquinas tanto para operá-las quanto para manutenção, com supervisão direta. Ele tem o apoio e parceria dos fabricantes e isso tem dado certo.
Ele comemora: “Com máquinas compactas o investimento e o risco são menores. Estou seguro que elas podem melhorar o desempenho das empresas em 90% das vezes. É muito gratificante quando criamos uma estratégia de crescimento e buscamos atualização no mercado, considerando avanços tecnológicos como as máquinas híbridas, equipamentos com esteiras de aço e que não poluem, entre outras vantagens. Tudo isso torna-se valor agregado”.